“acordo ortográfico” – implicações
Na blogosfera e nos media não se observa menção a três incógnitas da putativa adopção do “acordo ortográfico”.
A saber:
- Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?;
- Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?;
- Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?;
Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?
Ao estipular o primado da fonologia sobre a ortografia, este “acordo” que se intitula de unificador, isola ainda mais a língua portuguesa, afastando-a das restantes línguas latinas (inglês incluído). As consoantes mudas fornecem pistas valiosíssimas sobre a etimologia das palavras, assim como unificam todo um conjunto de línguas ocidentais, promovendo o multi-linguismo. A este propósito, é assaz curioso que os falantes do português do Brasil não revelam tanta facilidade na aprendizagem de línguas estrangeiras como o português ou o romeno.
Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?
O léxico científico, por se querer universal, tem-se socorrido de duas línguas estáveis: o grego e o latim. O baptismo de nomes científicos com base nessas línguas permite não só uma regularidade, mas também uma forma de promover o intercâmbio científico entre falantes de línguas diferentes. Um aluno que no próximo ano comece a ser instruído através da cartilha do “acordo”, verá o seu léxico irremediavelmente comprometido e terá menos estratégias mnésicas, gramaticais e logográficas de aquisição do mais variado jargão científico. O facilitismo em anos precoces de alfabetização trará incomportáveis custos, amputando de Saber uma população universitária cada vez mais pobre nos recursos que traz para o ensino superior.
Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?
Para a maioria dos alunos a aquisição da leitura faz-se quase automaticamente. Não obstante, as estratégias utilizadas são complexas e diversificadas. Ao contrário do que a linguística da gramática generativa faz crer, por via dos ideais anarco-sindicalistas de Noam Chomsky, a existência de regras estáveis é um facilitador da aquisição da leitura. Não constitui estratégia única, mas negligenciá-la para promover a gramática generativa é reduzir o leque de estratégias de aquisição da leitura. A este propósito, convém também salientar que, ao nível de jovens leitores, a inexistência de uma pista ortográfica é um pouco como proibir aprender a andar de bicicleta sem rodinhas…
Quem requer adoção é um adoçante?
Benfica contratará os 15 veados postos à venda pela Câmara da Nazaré no mercado de Inverno
A venda gorada dos 15 veados da Câmara da Nazaré não significa que os mesmos não estejam nos planos do Benfica.
O Estado de Fluxo confirmou junto do Barbas que os veados virão mesmo na reabertura do mercado, por troca com quatro javalis do plantel principal mais duas andorinhas dos júniores.
Letivo, de letionar?
O Novo Acordo Ortográfico continua, dia após dia, a mostrar-nos incongruências gritantes ao nível das regras gramaticais e ortográficas.
O primado da fonologia sobre a ortografia sempre foi um pressuposto facilitista de uma certa linguística que se socorreu de lobotomias e afasias para, “cientificamente”, justificar um “módulo fonológico” da aquisição da leitura e, com isto, dispensar as congruentes regras gramaticais do português.
O latim, língua morta (e por isso estável) a partir da qual derivam todas as línguas de civilizações Euro-Americanas do Primeiro Mundo está a ser absolutamente negligenciada com este acordo. basta atender ao exemplo abaixo:

A fonologia em todo o seu esplendor. Em terras de Vera Cruz ainda se usará a forma gramatical correcta, mas, apenas sob a capa do primado da fonologia.
Se quisermos derivar ou mesmo inferir palavras da mesma família, seriamos levados a pensar que letivo seria algo da esfera do letionar. Eu letiono, tu letionas ele letiona. Estranho que em nenhum dicionário encontro significado para este “letionar”. A fazer crer na immplementação para o próximo ano deste “acordo” face ao qual apenas teve parecer positivo de duas instituições em Portugal, prevejo o seguinte:
- O nascimento de uma nova língua: o português erudito;
- A criação de cursos extra-curriculares de latim, ao alcance de poucas bolsas, mas visando uma correcta e abrangente instrução linguística dos nossos filhos;
- A crioulização da língua portuguesa comum, com um aumento óbvio das ambiguidades de significado, aumento de dificuldades de entendimento e conflitos crescentes;
- O disparar de casos de dislexia ortográfica (por subversão de normas neste novo acordo);
Não obstante a legislação obrigar que no Estado se escreva “exceção”, existe a possibilidade de reverter todo este processo, através da subscrição de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos para anular a implementação do acordo e a sua reformulação, respeitando a diversidade linguística das diversas variantes do português. Seria positivo que todo o país a subscrevesse.
Ou o português como o escrevemos hoje estará apenas ao alcance de poucos.





