As recentes afirmações da presidente do PSD fizeram-me sorrir. A senhora entusiasmou-se e lançou-se num devaneio irónico sobre democracia e a sua suspensão. Saltou-lhe tudo em cima hoje.
Tudo?
Não. Pude ler no DN hoje uma crónica sensata e plena de compreensão do que realmente foi veiculado.
O que a senhora quis dizer, foi que a forma e o conteúdo da orientação política em Portugal encontram-se dissonantes. A forma (banda larga, magalhães, abertura, ensino, produtividade, rigor, meritocracia) é em tudo distante do conteúdo (medo nas organizações e escolas, falta de diálogo, vínculos laborais precários e gestores governamentais claramente incompetentes).
Ou se opta por uma forma que combata o actual conteúdo ou se envereda por um regime ditatorial consonante com o conteúdo presente. Foi isso que Manuela Ferreira Leite quis dizer com a sua tirada irónica. E pouca gente o está a perceber.