Antes de ligar a máquina, ligue o cérebro
Nas aulas de Estatística, na faculdade, dos melhores ensinamentos que recebi, foi este “Antes de ligar a máquina, ligue o cérebro”.
Ora… é precisamente isto que o Estado não fez.
A Microsoft Portugal assinou hoje um protocolo com o Ministério das Obras Públicas, mediante o qual vai equipar com a «última geração» de software da empresa – Windows Vista e Office 2007 – os computadores que vão ser disponibilizados a cerca de 600 pessoas – entre estudantes, professores e trabalhadores em formação no âmbito do programa Novas Oportunidades.
Uma análise mais a tenta a esta situação e a aplicação de um conjunto de regras de gestão muito básicas, permite-nos verificar que esta parceria se afigura mais como uma relação parasitária, em que o hospedeiro (Portugal), nada tem a ganhar.
- Foi feito um levantamento de necessidades de IT para população alvo desta iniciativa?
À partida duvido.
Mas, mandava o bom senso que se tivesse em conta a realidade de oferta de software livre (a 0,00€ cada aplicação) e que para dar resposta às necessidades expectáveis dessa população alvo, o software que compilei neste post chegava para as encomendas. - A compra das licenças Microsoft implicava vantagens na aquisição do hardware?
A parceria com a Cisco faz-nos ver que não. - Há garantia de retorno?
Optimisticamente, sim. Ao democratizar o acesso à web e dispondo os alunos de computadores em casa, ficam dadas as condições para terem ao seu dispor toda a informação da qual necessitam para melhorarem as suas competências de escrita, oralidade, cálculo e raciocínio lógico-abstracto.
Mas sublinho, trata-se apenas de acesso à informação.
A web não incute métodos de estudo, não motiva para a aprendizagem em grau significativo e inclusive pode criar condições para uma dispersão atencional. Não se trata de do velho ditado chinês de “ensinar a pescar”, mas sim distribuir manuais de pesca. É ligeiramente diferente. - Que mais-valias tem esta iniciativa?
Com esta parceria, a Microsoft vê em Portugal, mais especificamente nas agências governamentais, entidades cooperantes para escoar os seus produtos. Havendo uma aposta não na qualidade mas no baixo preço, o cliente / utilizador final não tendo expectativas não terá muito a dizer quanto à sua satisfação com o produto e, quem financia esta operação, ou seja, os contribuintes, não terão consciência da má opção do Estado, dado o seu desconhecimento do que é o open-source.
Há algum retorno, há alguma movida na nossa economia, mas aparente, fruto de uma certa cartelização das e-políticas, para além da inegável e sempre imprevisível capitalização eleitoral, especialmente no eleitorado que sempre se cativa com manobras de fachada.
Termo em voga ultimamente, mas que qualquer aluno ou ex-aluno com o mínimo poder de observação constatou ao longo do seu historial escolar.




