
Na manchete da edição de hoje, o semanário cita «documentos sobre o processo do aluno José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa», que concluiu em 1996 na UnI a sua licenciatura, iniciada anos antes no Instituto Politécnico de Coimbra e prosseguida no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.
Na Independente, Sócrates realizou cinco cadeiras: Análise de Estruturas, Betão Armado e Pré-Esforçado, Estruturas Especiais e Projecto e Dissertação, leccionadas por António José Morais, e Inglês Técnico, dada pelo ex-reitor da universidade, Luiz Arouca.
Em declarações ao Expresso, António José Morais afirmou que o facto de o diploma ter sido assinado a um domingo «não é estranho», alegando que «nas universidades privadas, muitas vezes trabalha-se ao domingo», confirmando ter dado quatro das cinco cadeiras ao primeiro-ministro.
Contudo, Luiz Arouca afirmou ao Expresso nunca ter dado qualquer aula nem feito qualquer avaliação a Sócrates. Também Frederico Oliveira Pinto, que, segundo o Expresso, diz ter sido o primeiro presidente do conselho científico da UnI e, na altura, professor de todas as cadeiras de Cálculo das licenciaturas de Engenharia, afirmou ao semanário nunca ter visto José Sócrates naquela instituição…
Frederico Oliveira Pinto adianta, citado pelo jornal, que o processo de licenciatura do primeiro-ministro decorreu sem o seu conhecimento, uma vez que o plano de equivalências e de estudos de Sócrates «não foi submetido a apreciação de qualquer órgão académico», adiantando que o conselho científico da universidade apenas foi criado em meados de 1997, após o primeiro-ministro ter concluído o curso na UnI.
Por sua vez, o plano de equivalências resume-se a duas folhas manuscritas e com a menção quase ilegível de algumas disciplinas, sem data nem assinatura.
O livro de termos, onde constam os dados académicos dos alunos, e o livro de sumários, horários e lista de professores, estudantes e disciplinas do curso de Engenharia Civil alegadamente não existem, de acordo com o Expresso.
Apenas um texto em inglês dactilografado e corrigido a vermelho foi apresentado como prova escrita da disciplina de Inglês Técnico, embora sem estar redigido numa folha de teste com o carimbo da UnI.