Ver com olhos de ver
Num estudo europeu, chegou-se à conclusão que as escolas portuguesas têm Internet, mas não têm computadores suficientes. Faz-me lembrar aquela metáfora de enviar frigoríficos para o deserto do Sahara…
De acordo com o documento, que analisa o uso de computadores e Internet nas escolas em 2006, 92% dos estabelecimentos de ensino em Portugal têm acesso à Internet, mas o número de computadores existentes não chega sequer a um por cada 15 alunos.
(in diariodigital, 30-09-2006)
As próprias conclusões do estudo não me espantam… economicamente é muito mais viável espetar cabos de fibra óptica em tudo o que é sítio, do que apetrechar esses mesmos sítios com hardware informático. Quando não há dinheiro para tudo, até que nem é mal pensado investir num produto que é barato e cumpre a sua função sem grandes despesas de manutenção, não correndo o risco de ficar obsoleto.
O que me espanta é a reacção da UMIC e da FCCN, que insistem em defender o “rigor” das metodologias de investigação que se afastam da realidade, contrapondo com uma abordagem mais distante, mais centrada em estatísticas de número de máquinas em vez de avaliar o impacto percebido pelos utilizadores das TIC no meio educativo.
E depois saem pérolas destas…
«Não se devia inquirir professores, mas sim medir efectivamente. Cada docente reporta sobre aquilo que é a sua experiência directa», acrescentou, por seu turno, Luís Magalhães.
(in diariodigital, 30-09-2006)
O objectivo de um estudo teórico com algum trabalho de campo é minimizar o erro inerente à impossível replicação da realidade prática. Desta forma, a metodologia que o estudo europeu adoptou, centrou-se sobretudo em inquirir pessoas e não limitar-se a contar hardware comprado. E o que as pessoas reportaram, foi que não conseguem encontrar computadores nas escolas. O entrevistado, para defender o seu ponto de vista, deveria ter pegado no argumento da representatividade da amostra, nunca na fiabilidade de quem esperiencia o objecto de estudo directamente. A desculpa das “variáveis parasitas” não pega… pois, se se pretende estudar um fenómeno real, distractores existem sempre.


e depois a psicologia é que não é ciência e o catano… :P