Ratos amestrados

O Processo de Bolonha poderá não passar, no próximo ano lectivo, pelas faculdades de Psicologia do país – Lisboa, Coimbra e Porto. Juntamente com a Universidade de Évora, Beira Interior e o curso de Psicologia da Universidade do Algarve, as faculdades estão à espera de uma resposta da Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) sobre o pedido que apresentaram para que os cursos da área tenham o mestrado integrado.
(in Público, 16-08-2006)
Cá estão estes meninos com a mania que são professores a fazer finca pé para manter as suas aulas tremendamente teóricas à revelia de uma das grandes orientações do Processo de Bolonha: tornar o Ensino Superior mais prático. Há anos que nos outros paises europeus os cursos de Psicologia são encarados como aquilo que realmente são: cursos sem um grau de especialização elevado, que necessitam, por essa mesma razão, de menor preparação científica de base para se poder exercer.
Mas por cá, com excepção feita na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Autónoma de Lisboa e Instituto Superior de Psicologia Aplicada, mantem-se a intenção de prolongar a agonia que é frequentar este Ensino Superior em que a parca produção científica faz-se acompanhar de um comodismo docente e nula atenção à realidade de emprego e expectativas dos alunos.
E qualquer dia admiram-se que as verbas para a área do Superior diminuam, que a inovação escasseie e que sobretudo não se tragam mais-valias no bem estar e promoção de competênciais pessoais na população nacional.
Na minha óptica, um mestrado só faz sentido após um periodo de exploração e de prática profissional. Se a experiência lectiva nas Universidades é teórica, se estas não dinamizam o exercício de voluntariados nem a colocação no mercado de trabalho, é reduzida a hipótese de um aluno tomar contacto com realidades de intervenção.
O que ironicamente as faculdades de Psicologia querem fazer é vedar o acesso a essa prática profissional a umas largas centenas de alunos que almejam terminar um simples curso em três anos e meter mãos à obra. Bolonha é uma excelente oportunidade para tornar o mercado de trabalho mais fluido… enjaular os alunos mais uns tempos nas Universidades e sacar-lhes uns cobres será medo que surja mais concorrência?
