Ainda o bullying
A caixa de comentários do artigo que referi neste post contem algumas pérolas corporativas. É interessante registar o tom de alguns seres que se anunciam como docentes, que afinam pelo mesmo diapasão: “a coisa não é bem assim”.
Os profissionais de educação do 1º ciclo sempre contribuíram para a integração do João Miguel. Nunca houve discriminação, sempre se tentou que fosse um menino como os outros, apesar da sua fragilidade física e emocional. A notícia é apenas a versão da mãe que tenta chamar a atenção do problema do seu filho, de forma a responsabilizar alguém pelo infortúnio.
Ele não é “um menino como os outros”. Tem que ser visto como diferente. Se não se perspectivar a situação assim, estamos a promover desigualdade. Isto é básico. Tal como o 1º ciclo de que este comentário fala.
Sou professor há muitos anos e sei do que falo quando digo que estas coisas raramente são exactamente o que parecem. Contudo, sou o primeiro a admitir que hoje em dia quem dita leis nas escolas são meia dúzia de jovens vândalos e suas famílias. A violência e o medo são exercidos sobre os outros alunos, sobre os funcionários e sobre os professores. Vigora a lei do medo. Eu não me deixo vergar, mas a maioria dos professores deixa, até porque a maioria são mulheres, mais “pragmáticas” que nós, homens…
Falou o docente da verga! O homem que é homem, que sabe do que fala, embora não fale do que sabe. E que sabiamente vaticina que a causa para esta situação grotesca é o ensino estar cheio de mulherio sem tomates mas com muito “pragmatismo”.
Não conheço este caso, mas sou professora há quase 20 anos e, sinceramente, não acredito que os colegas sejam tão “mauzinhos” como os pais do Miguel os querem retratar. Que dizem os professores da turma, os quais têm lidado com a situação de perto?
Sabiamente fundamentada com os ensinamentos de Maria Montessori e Paulo Freire, pedagogos que certamente nunca levaram um enxerto de porrada no recreio, esta “docente” diz que as criancinhas não são tão cruéis como a notícia espelha. O muco na mochila do Miguel é certamente consequência de um espirro mais aplicado, as calças afinal cairam-se-lhe porque nesse dia não trazia cinto e há que ter em conta as “razões pedagógicas” acima de tudo, aguentar mais uns pontapés no lombo até ao final do ano e ai sim, mudar de turma, porque esta em que ele está, precisa de outro saco de pancada, que pelo menos dê luta no 1º Período.
Este esteve quase a chegar lá…
Como professor com larga experiência, sei que as coisas nem sempre são o que parecem, mas também sei que a violência está a tomar conta das escolas. Porque nas escolas como fora delas, a mentalidade vigente é a de desculpar os agressores e esquecer as vítimas. Não me admirava que a história fosse exactamente como vem contada.
Diz que sim, mas eu acho que é capaz de não, mas vai na volta, até que pode ser que sim…
Salve-se uma opinião sensata:
Sou professor mais não oculto o facto de que, como em todas as classes, nem todos os professores são bons. Alguns repugnam pelo desprezo que têm pelos alunos e pelo desleixo no cuidar deles. O primeiro dever do professor, junto com ensinar, é compreender e defender o aluno de todos os abusos que possam ser cometidos contra ele. A violência está em todas as sociedades, pois elas precisam de promover a agressividade e a vontade de poder. Os mais fracos não só ficam para trás mas são desprezados. Há que defendê-los, não através de ficções e sermões piedosos mas fazendo sentir aos agressores que somos todos humanos e que por isso não estamos livres de nos acontecer qualquer infelicidade.
E uma excelente sugestão:
Fosse isto num país realmente desenvolvido, e já estava a Directora da Escola a “convidar” todos os alunos que participaram na discriminação a fazerem uma visita obrigatória ao IPO, e participarem em serviços cívicos. Quem não fizesse, chumbo. Ou seja, havia autoridade e verdadeiro socialismo. A sociedade portuguesa é em geral estupida, individualista, sem sentido de comunidade. Passa de pais para filhos, e refina. Por isso ficaremos cada vez mais longe da tal Europa aqui tão perto.
Case closed.
