Novas oportunidades – um post a sério
De tanta matéria alvo de gozo e escárnio, importa de quando em vez parar para pensar e debruçar-se sobre uma ou outra iniciativa num tom mais sóbrio.
É o caso da iniciativa novas oportunidades, a medida governamental que, ao contrário do que a publicidade institucional quer fazer crer, pretende reconverter as competências dos portugueses em certificações académicas.
Oficializar o “saber de experiência feito” como versava Camões.
Na óptica da validade dessas competências, é muito mais realista fundamentar a competência do individuo com uma prova tangível de sucesso do que através de uma prova escrita, em que o mesmo não mais debita que meros conhecimentos procedimentais. Traduzindo isto para miúdos, com esta iniciativa, pretende-se que alguém com três anos de experiência em carpintaria, por exemplo, possa ver esse know-how traduzido numa equivalência de 12º ano, o que lhe pode permitir posteriormente enveredar por um curso tecnológico e assim formalizar os seus saberes num equivalente do ensino escolarizado.
Trata-se de uma iniciativa que de facto valoriza o saber prático da pessoa, em detrimento da sua “colecção de cursos”. No entanto, um olhar mais atento a toda a informação disponível no website da iniciativa apenas revela que de novo, há apenas a intenção de criar um verdadeiro e integrado Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências – algo ainda não completamente operacionalizado.
Tudo o resto já existe… há anos.
