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Beberete?

by Estado de Fluxo on Março 17th, 2007

A AAAFPCE-UL1, agremiação que tenciona ajuntar antigos alunos de Psicologia formados na FPCE-UL, vai arrancar no próximo Sábado.

Dada a situação de “estado de tanga” em que esta área profissional se encontra, alguém que tenha tido o azar de ser psicólogo, só se safa das seguintes formas:

  • Escreve livros para educar jovens anorécticas, suicidas e ex-toxicodependentes e pseudo-tranquilizar os respectivos progenitores.
  • Vai pela via do altruismo-ideológico e se tiver um pai psiquiatra e os conhecimentos certos (de esquerda radical aburguesada), ganha o seu espaço mediático. Mas atenção, pode não trabalhar na área.
  • Envereda pelo voluntariado até aos 40 anos, altura em que acorda para a vida e percebe que tem que obter alguma fonte de rendimentos para pagar as sessões de psicoterapia
  • Capitalizando os conhecimentos que adquiriu, vai trabalhar noutra área.
  • Assim, a criação de uma agremiação desta natureza urgia um plano de acção concreto e uma ênfase numa seriedade e incisão na forma de agir.

    beberete_psi

    O que se pode aquilatar da divulgação que recebi, é que se vai assistir a um discurso a armar o entusiasta, tentar angariar mais pagadores de quotas para esta agremiação, beber uns copos, assistir a uma dramatização e ouvir pela enésima vez “A mulher gorda”.

    Temos terapeutas, temos nova geração, temos associação.

    1 – Ao contrário do que seria de pensar, não se trata de uma Associação de Alcoólicos Anónimos. Afinal, há “beberete” e tudo.

    From → Divulgação

    7 Comments
    1. Carla permalink

      Desculpa, mas acho que te enganaste no “tag”, devias ter colocado “Rir”, é que o teu texto está tão cómico! :D
      Eu sei que o caso é sério, mas não consegui deixar de rir. Sorry!
      Bjs

    2. Gonçalo Ribeiro permalink

      Estiveste lá para ver o que realmente se passou?

      É que falar no desconhecimento não fica bem a ninguém,,,

    3. O que interessa ver é o que se passa no mercado de emprego e não em reuniões de boas intenções.

      Há muita coisa que não “fica bem”, mas que é necessário dizer.

    4. Gonçalo Ribeiro permalink

      Se por acaso tivesses lá estado perceberias que a reunião não foi de “boas intenções”…

      E a questão não é de “ficar bem”, mas sim de falar com conhecimento de causa – opiniões toda a gente tem, mas convém que sejam fundamentadas…

      Concordo que interessa olhar para o mercado de trabalho, mas se calhar se ele está como está também tem alguma coisa a ver com o facto de os psicólogos andarem há demasiado tempo ás “turras” uns aos outros em vez de funcionarem como um grupo que tem causas comuns bem mais importantes do que as diferenças…

    5. Não creio que o associativismo de profissionais de qualquer classe seja a solução para a absorção de profissionais no mercado de trabalho. Se porventura singrar a melhoria das condições de trabalho dos psicólogos apenas por lobbying, o reconhecimento genuíno do nosso contributo para a sociedade mantém-se ausente.

      A meu ver, o problema está a nível nacional, na eterna falta de visão e de investimento estratégico não-tangível. No nosso caso, foi a não inserção de psicólogos nas escolas, hospitais e empresas. O insucesso escolar, a saúde precária e a cunha poderiam, não sendo neutralizadas, ser largamente minimizadas com o nosso contributo.

      Por muito boas intenções (no sentido de de facto o profissional de psicologia dar contributo, ter condições e começar a render e a devolver à sociedade aquilo que ela paga para o formar), o impacto que a AAAFPCE-UL pode ter, infelizmente, é mínimo. Não creio que a via para abrir os olhos aos gestores de topo nacionais (vulgo governo), seja causar impacto indirecto pela pressão mediática ou por manifestações públicas. Um caso Madeleine, uma pseudo-licenciatura Independente ou um caso Bragaparques facilmente dilui iniciativas como a da AAAFPCE-UL.

      Infelizmente não sei qual a forma de alterar o estado das coisas, com pena minha. Porque sei que rendo mais e posso ser melhor profissional exercendo aquilo em que me formei e que me custou (com prazer) 5 anos da minha vida, pagos maioritariamente pelo Estado (as propinas que pagamos são uma pequena parte do que custa formar um licenciado). Pode ser uma mudança que está dependente de uma geração – pois creio que o pais perde muito com a geração de decisores que hoje contam entre os 40-60 anos… mas reitero: o que há a fazer tem que ser eficaz e evitar que se dilua.

    6. Gonçalo Ribeiro permalink

      Concordo, a mera associação de profissionais não há-de ser a milagrosa panaceia de todos os males, e essa tal falta de visão estratégica é de facto um problema crónico do nosso país.

      Mas vamos simplesmente ficar sentados a olhar, á espera? Á espera de quê, mesmo?

      Acredito que se a situação é como é, tem bastante a ver com a atitude demasiado individualista dos psis, que, supostamente peritos em ouvir os outros, nunca se quiseram realmente ouvir uns aos outros e não conseguiram o que outras classes, mais organizadas, conseguiram: fazer pressão junto de quem dirige para que as situações fossem mudadas. Exemplo prático: há cerca de 600 psiquiatras no nosso pais, mas se um dos cerca de 16000 psicólogos quiser fazer um estágio profissional numa instiuição de saúde, com toda a probabilidade vai ser supervisionado por um deles… Faz sentido?

      E faz sentido que sejam maioritariamente professores de filosofia a leccionar psicologia no secundário? E que haja escolas que não tenham um psicólogo escolar, mas tenham um professor a fazer orientação vocacional?

      Professores e médicos não conseguiram este tipo de “status quo” ficando simplesmente sentados confortavelmente nos seus traseiros…

      Eu também não tenho nenhuma solução mágica, nem a AAAFPCEUL a pretende vir a descobrir, mas penso que é melhor tentar fazer alguma coisa do que criticar e nada fazer, com a desculpa que não se sabe o quê, que o que se fizer não vai ter impacto, que não vale a pena, que é muito difícil, que dá muito trabalho…

      Estou sinceramente muito cansado de ouvir isso… E farto de “Velhos do Restelo”…

    7. Estás a entrar pela via da difusão da responsabilidade. O que é um tremendo erro.

      O que colocou os psicólogos escolares em descrédito foi a ausência de monitorização da eficácia do seu trabalho. Em 20 anos de psicólogos em escola em Portugal, não há um único estudo da eficácia da intervenção vocacional credível. É um erro de gestão que foi causado pelo receio de se colocar a descoberto certas práticas menos eficazes. Pelo receio de imputar individualmente a cada counsellor a responsabilidade no seu trabalho. Com números que espelhassem o real contributo desses profissionais para a comunidade escolar, os decisores, embora obtusos, talvez abrissem os olhos. Com um lobbyig mais potente, os professores conseguiram substituir os psicólogos em certas funções, mas… por lobbying, não por mérito nas técnicas e know-how que apliquem.

      A questão de ser um psiquiatra a tutorar um estágio, não me causa qualquer indignação. Desde que possuam capacidade de gestão, é o mais importante. Já fui orientado por psicólogos, por engenheiros e por um economista. O que os distinguiu, nunca foi a área de especialização, mas a sua capacidade de gestão.

      Acredito que se a situação é como é, tem bastante a ver com a atitude demasiado individualista dos psis, que, supostamente peritos em ouvir os outros, nunca se quiseram realmente ouvir uns aos outros e não conseguiram o que outras classes, mais organizadas, conseguiram: fazer pressão junto de quem dirige para que as situações fossem mudadas.

      Uma classe profissional a fazer terapia de grupo? Nada contra… mas umas noçõezinhas de gestão e de avaliação de desempenho não fazem mal a ninguém.

      Estou sinceramente muito cansado de ouvir isso… E farto de “Velhos do Restelo”…

      Foi com “velhos do restelo” como eu que uma perspectiva mais realista imperou e a APA é o que é hoje. Não servindo como guarda-chuva proteccionista, mas criando verdadeiros critérios de conduta profissional e credibilizando a psicologia.

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