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Maslow invertido

by Estado de Fluxo on Dezembro 6th, 2006

V
Saíram três notícias nos últimos dias que colocaram novamente, a meu ver, a questão da subversão das necessidades individuais.

Falo da constatação de um estudo do ICS que reporta a baixa autonomia dos adultescentes portugueses e sua tardia saída da casa dos pais.

Falo da constatação europeia de que os portugueses são dos cidadãos que mais cedo entram no sistema de ensino superior. (já não me recordo onde li isto…)

E finalmente, da criação de uma bolsa de voluntariado nacional, disponível na web.

Todas estas constatações / iniciativas apontam para uma faixa jovem da população que hoje, perante remunerações baixas, insegurança no emprego (pois este não é assegurando com base no mérito) não possui, a meu entender, uma base consistente de necessidades satisfeitas para almejar outros voos: ajudar altruisticamente, ser resilente na aceitação dos factos, não se guiar sempre por preconceitos, resolver problemas e ser criativo.

Paradoxalmente, vemos hoje a valorização dos aspectos cimeiros da pirâmide de Maslow, no que toca a metas a atingir. O mercado de emprego quer pessoas criativas, que resolvam problemas. No entanto, é essencial que todas as outras necessidades (fisiológicas, de segurança, de pertença e de estima estejam plenamente satisfeitas).

Infelizmente, a falta de visão e o medo de apostar, leva a que se mantenha a preferência por PTO’s, que desempenham sobretudo o verdadeiro trabalho de voluntariado e o “trabalho de sapa” que resulta da baixa produtividade dos quadros mais senior recebendo como reforço apenas subsídio de alimentação e perspectivas de “permanência”.

A geração “1000 Euros” vê como essencial a manutenção da sua própria segurança, a conquista tardia de autonomia, o pagamento das despesas de casa [quando a podem ter], o terminar o curso para não sobrecarregar a família… deixando para último plano a satisfação de necessidades mais elevadas e que trazem verdadeiramente as vantagens competitivas diferenciadoras no mercado de trabalho e em outros quadrantes da vida. Falo da criatividade e da resolução de problemas, que se encontram escassas nos recursos humanos. E também do desempenhar de um papel útil à sociedade, através do verdadeiro voluntariado para quem precisa e não para quem simplesmente se desperdiça.

Ao inverter a pirâmide, pode-se estar a criar uma “força de voluntariado” jovem, preconceituosa, sem os seus próprios problemas resolvidos e movida sobretudo pelo desejo socialmente aprovado de “ajudar pessoas” e ser “bem visto”, não maximizando o seu potencial.

From → Day by day, Educação, HR

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