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IVG ou TGV?

by Estado de Fluxo on Novembro 1st, 2006

TGV
Há dias, os meus devaneios mentais calharam em fixar-se na similaridade entre estas duas siglas. Perante tanta congruência, algo tinha que ligar estas duas práticas: o aborto e a ferrovia a alta velocidade. Não numa similaridade, mas numa complementaridade simbiótica, que o último “Prós e Contras” fez questão de me mostrar.

Como é sabido, agora que os problemas do desemprego, da produtividade deficitária, da falta de civismo nacional e do insucesso escolar estão resolvidos, há que partir para outros assuntos que, embora de menor relevância, têm que ser despachados da agenda governamental.

Falo obviamente do aborto, do casamento de homossexuais, da devolução coerciva do dinheiro ganho pela Floribella nos autógrafos que assinou, da operação para a mudança de sexo do Cláudio Ramos e da troca de membros inferiores entre o Mantorras e o Rui Costa.

Como a Floribella é muito boazinha e não abre mão do guito, os padres ainda não estão todos (para ai) virados e os avanços da medicina ainda só permitem fazer transplantes de cara e criar fígados, estas medidas apenas serão referendadas em 2009.

Resta a IVG e o TGV, tópicos complementares, irmãos até, quiçá companheiros de alegria e infortúnio, de alívio e de esperança, de fecundidade e de necessidade. Vai dai, o EdF enumera-lhe um conjunto de razões pelas quais deve votar NÃO no referendo da IVG (não leia é a pergunta, que ainda se baralha…) e fazer uma vaquinha para custear o TGV:

  • Com o TGV, as grávidas espanholas podem vir a Portugal ter filhos, evitando o fecho de maternidades e consequentes manifestações, compostas maioritariamente por mulheres menopausicas de Barcelos.
  • Com a manutenção da ilegalização da IVG, as mulheres portuguesas que a queiram fazer, deparando-se com a impossibilidade de o realizar no SNS, rapidamente baixarão a bolinha, enfiam-se um TGV e tratarão disto em Badajoz.
  • Com o TGV, ver jogos do Real Madrid e voltar no mesmo dia torna-se mais fácil.
  • Com a proibição da IVG, ver jogos do Real Madrid e levar uma “amiga” para esta ivêgêzar numa clínica madrilena e voltar no mesmo dia torna-se mais fácil.
  • Finalmente, com o TGV, um espanhol pode ir ao estádio da Luz para se rir um bocado, ver um bom jogo de futebol em Alvalade e jogar bowling no Alvalaxia, assistir à 50000ª passagem de Ben Harper por Portugal no Pavilhão Atlântico, ver a coleção Berardo e voltar para a casa indagando-se de como é possível haver um parque de diversões tão grande, mesmo ao lado de casa.

From → Rir, Serviço púbico

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