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“acordo ortográfico” – implicações

by Estado de Fluxo on Julho 15th, 2011

Na blogosfera e nos media não se observa menção a três incógnitas da putativa adopção do “acordo ortográfico”.

A saber:

  • Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?;
  • Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?;
  • Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?;

Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?

Ao estipular o primado da fonologia sobre a ortografia, este “acordo” que se intitula de unificador, isola ainda mais a língua portuguesa, afastando-a das restantes línguas latinas (inglês incluído). As consoantes mudas fornecem pistas valiosíssimas sobre a etimologia das palavras, assim como unificam todo um conjunto de línguas ocidentais, promovendo o multi-linguismo. A este propósito, é assaz curioso que os falantes do português do Brasil não revelam tanta facilidade na aprendizagem de línguas estrangeiras como o português ou o romeno.

Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?

O léxico científico, por se querer universal, tem-se socorrido de duas línguas estáveis: o grego e o latim. O baptismo de nomes científicos com base nessas línguas permite não só uma regularidade, mas também uma forma de promover o intercâmbio científico entre falantes de línguas diferentes. Um aluno que no próximo ano comece a ser instruído através da cartilha do “acordo”, verá o seu léxico irremediavelmente comprometido e terá menos estratégias mnésicas, gramaticais e logográficas de aquisição do mais variado jargão científico. O facilitismo em anos precoces de alfabetização trará incomportáveis custos, amputando de Saber uma população universitária cada vez mais pobre nos recursos que traz para o ensino superior.

Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?

Para a maioria dos alunos a aquisição da leitura faz-se quase automaticamente. Não obstante, as estratégias utilizadas são complexas e diversificadas. Ao contrário do que a linguística da gramática generativa faz crer, por via dos ideais anarco-sindicalistas de Noam Chomsky, a existência de regras estáveis é um facilitador da aquisição da leitura. Não constitui estratégia única, mas negligenciá-la para promover a gramática generativa é reduzir o leque de estratégias de aquisição da leitura. A este propósito, convém também salientar que, ao nível de jovens leitores, a inexistência de uma pista ortográfica é um pouco como proibir aprender a andar de bicicleta sem rodinhas…

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!

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