Carreirismo
Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa
Seu pai admoestou-o.Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina
Seu pai pô-lo na ru-a.Voltou passados vinte e dois anos, com chofer fardado.
Era Director Geral das Polícias.
Seu pai teve o enfar-te.
Carreirismo, por Mário Henrique Leiria
“processo indisciplinar”
Tintins em 3D
“É que isto não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política de Língua no âmbito da Lusofonia”, sublinhou Malaca Casteleiro, membro da classe de Letras da Academia de Ciências de Lisboa.
O professor explicou que este acordo ortográfico “privilegia o critério fonético a desfavor do critério etimológico”, o que implica “a supressão das consoantes mudas, há muito decidida no Brasil”.
Hello Kitty, bye bye Rosalina
Resumo político da semana
Novo acordo ortográfico da Linha
Na senda do pioneirismo informativo que caracteriza este pasquim, o Estado de Fluxo informa em primeira mão algumas das alterações linguísticas que advêm do novo Acordo Ortográfico da Linha, a vigorar entre Algés e o Guincho, já partir do próximo ano.
Este acordo nasce da necessidade de uniformizar todos os dialectos falados na Linha, projectando os falantes e revigorando a região, eliminando as consoantes mudas, as letras inconvenientes e as palavras com érres em demasia, que só dão um ar saloio e pouco esclarecido a quem as profere (à excepção do irra!).
| Antes | Depois |
|---|---|
| Acto | Evento |
| Adoçante | Canderel |
| Baptizado | Evento |
| Difícil | Dficil |
| Espreguiçaceira | Chaise Longue |
| Respectiva | Mlher |
| Respectivo | Marido |
| Telefone | Tfone |
“acordo ortográfico” – implicações
Na blogosfera e nos media não se observa menção a três incógnitas da putativa adopção do “acordo ortográfico”.
A saber:
- Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?;
- Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?;
- Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?;
Qual o impacto do “acordo” na aprendizagem de outras línguas?
Ao estipular o primado da fonologia sobre a ortografia, este “acordo” que se intitula de unificador, isola ainda mais a língua portuguesa, afastando-a das restantes línguas latinas (inglês incluído). As consoantes mudas fornecem pistas valiosíssimas sobre a etimologia das palavras, assim como unificam todo um conjunto de línguas ocidentais, promovendo o multi-linguismo. A este propósito, é assaz curioso que os falantes do português do Brasil não revelam tanta facilidade na aprendizagem de línguas estrangeiras como o português ou o romeno.
Qual o impacto do “acordo” nos diversos léxicos de campos do saber como a Medicina ou as Ciências Biológicas?
O léxico científico, por se querer universal, tem-se socorrido de duas línguas estáveis: o grego e o latim. O baptismo de nomes científicos com base nessas línguas permite não só uma regularidade, mas também uma forma de promover o intercâmbio científico entre falantes de línguas diferentes. Um aluno que no próximo ano comece a ser instruído através da cartilha do “acordo”, verá o seu léxico irremediavelmente comprometido e terá menos estratégias mnésicas, gramaticais e logográficas de aquisição do mais variado jargão científico. O facilitismo em anos precoces de alfabetização trará incomportáveis custos, amputando de Saber uma população universitária cada vez mais pobre nos recursos que traz para o ensino superior.
Qual o impacto do “acordo” nas estratégias de aquisição da leitura?
Para a maioria dos alunos a aquisição da leitura faz-se quase automaticamente. Não obstante, as estratégias utilizadas são complexas e diversificadas. Ao contrário do que a linguística da gramática generativa faz crer, por via dos ideais anarco-sindicalistas de Noam Chomsky, a existência de regras estáveis é um facilitador da aquisição da leitura. Não constitui estratégia única, mas negligenciá-la para promover a gramática generativa é reduzir o leque de estratégias de aquisição da leitura. A este propósito, convém também salientar que, ao nível de jovens leitores, a inexistência de uma pista ortográfica é um pouco como proibir aprender a andar de bicicleta sem rodinhas…









